quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Coração de melão...

Silêncio estranho pela casa, apesar do barulho da rua, dos telefonemas, das teclas. Normalmente costumavam ver a TV enquanto usavam seus computadores, cada um a sua moda. Um matava o tempo entre pesquisas sobre tudo e qualquer coisa que lhe viesse a cabeça ou lhe fosse levemente sugerido e aquários virtuais. Outro vivia entre milhões de pessoas, alguns caracteres, muita informação e poucos devaneios que valham em um mundinho que era só dele e só ele era capaz de absorver. Em um dia normal, existia uma rotina pré-estabelecida pela força do tempo. Um se ocupava com afazeres gerais, dobrando uma roupa aqui ou cozinhando algo preocupadamente trivial ali, subtraindo a falta do que fazer naquele mundo de gigabytes. Outro seguia compenetrado, vez ou outra chamando a atenção para algo estupidamente genial ou singularmente esquisito que filtrara por entre aquela enormidade de mundo quadrado em seu colo. Em um dia normal, as coisas corriam nesse sentido esquecido entre o agora e o que não vai para frente.

Mas hoje era uma dia diferente. Como uma Teoria do Cisne Negro, um evento. Baseado nos critérios de Nassim Nicholas Taleb:

- O evento é uma surpresa (para o observador)
- O evento causa um grande impacto.
- Após o ocorrido, o evento é racionalizado por percepção tardia, como se tivesse sido cogitado.

Hoje era um daqueles dias conhecidos, mas não muito comuns em que aqueles dois eram feito dois estranhos. Imagine você, dentro de uma daquelas tramas Hollywoodianas deliciosamente esquecíveis, sendo jogado em meio a uma casa onde tudo era altamente familiar, mas nem um pouco confortáveis, visto que um estranho vivia ali, e ao que tudo indicava ele o fazia a muito tempo. E sabia seu nome. E quem você era. Era por ai, mas não assim tão mistificado.

Aqueles dois já se conheciam de longa data. Já sabiam de seus horários, suas muletas e suas alergias. Um era altamente controlado no que dizia respeito ao bom funcionamento dessa rotina já dissertada, desde os itens que não podiam faltar na geladeira até a medida em se manter presente mas em silêncio mesmo quando o que queria era ouvir música alta. Outro era uma figura bem estabelecida, e nada podia abalar aquela estrutura tão bem construída pelos anos de historias e acontecimentos que Um apenas supunha conhecer. E por essa história ser baseada em fatos observados por Um e ele mesmo ser o autor do descrito, as informações referentes ao Outro certamente são nada mais do que uma profunda reflexão de Um (que se considera um bom bom perceptor pero no mucho).

Tudo começou com uma lasanha de berinjela, seu preparo e o desastroso decorrido durante o ato. Um, como reza a lenda de todo bom virginiano, estava naqueles dias que só mulheres sentem uma vez por mês, mas que (fato) homens nascidos entre 24 de agosto e 22 de setembro adquirem por alguma osmose lunar obscura. Preocupado com a quantidade de queijo na geladeira junto com o desejo pelo prato anunciado por Outro, se aventurou na construção daquele sitio arqueológico vegetariano que lhe era tão desconhecido, a contra gosto, afinal era um daqueles dias. O Outro por sua vez, mal acostumado (como ele próprio afirmara) com aquele comodismo, seguia anunciando para o mundo virtual os cuidados do amado sem perceber a barbatana de tubarão que rondava sua prancha. Outro, seguindo seus instintos de diretor, organizador ou reparador (essa eu deixo para você escolher) decidiu comentar a respeito do preparo, dos sabores adicionados, dos cheiros que saltavam, do aspecto que nascia na forma velha para assar. E sem medir o tamanho que as palavras iam adquirindo aos ouvidos de Um, Outro perdeu a mão como um cozinheiro perde a mão no sal da comida.

E então o Cisne Negro bateu suas asas, como uma noticia ruim que chega ao telefone. Em algum período compreendido entre a entrada do prato ao forno e sua resolução, o gás chega ao seu trágico fim. Assim, silencioso, sem aviso. Para o desespero de Um, para a confusão de Outro. Porque Um parecia tão derrubado, tão velho feito um colhedor de maçãs no sul do Chile em pleno solstício de verão?

E esse foi o causador do evento estranho que pairava na casa. Enquanto Um tentava seguir com seus já conhecidos afazeres, mas sem o menor esforço, Outro parecia castigá-lo com uma atitude fuck off, saindo em horários desconhecidos e voltando sabe-se lá de onde depois de algumas horas que pareciam anos. E como já foi dito, era um dia conhecido, mas não habitual. Nesse dia, Um resolveu desafiar sua própria lei de se botar como vítima, de assumir a culpa, de submisso e se calou. Se segurou por mais de uma dezena de vezes, mas se calou. Estava disposto a chorar em silêncio, debaixo do chuveiro ou na cama aconchegada muito mais cedo do que o habitual antes de dirigir palavra. Só para ver no que dava, só para suprir uma necessidade mórbida de entender aquela atitude do Outro, que lhe causava tanta dor mas o que é a dor se não algo que não estamos dispostos a encarar? No seu mundinho de medos infantis e psicoses com faca de algodão, imaginava as piores resoluções para sua atitude, tentando encontrar no meio daquele emaranhado de pesadelos um pequeno patinho feio e negro. Como nunca foi capaz de sonhar, ou melhor, de lembrar do que sonhava, era expert em dilacerar um mundo em profecias catastróficas. Mas estava decidido, superaria aquele silêncio com latas de cerveja e barras de chocolate até que o Outro desse o primeiro passo rumo aos velhos hábitos.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Not today or tomorrow...

Ao som de Jason Mraz repito: eu sei, sumi. Ando fazendo coisas, juro, mas sem a menor inspiração para blogar.

Jason Mraz, o carinha do "I´m yours". Um amigo emprestou o CD, disse que eu tinha que ouvir. Realmente, ele tem uma ginga insuspeita, visto que é um branquelo e... bem... homens brancos não sabem enterrar...

A mesma coisa que japonês sambar! E é? Uma amiga lembrou de mim, me indicou pra um trabalhinho "fácil", e lá tô eu, ensinando 50 pré-adolescentes a sambar. E samba de roda. E um sambinha cuntipurâniu. E hoje, um semba. Ô minha gente, eu nem sabia que existia SEMBA até que me disseram que queriam uma coreô de semba. Fui lá no Tio YouTube, e como tudo na vida hoje é possivel, aprendi o tal do semba, uma lambadinha safadinha com passinhos de forró e tudo mais que te vier a cabeça, bem reboladinho. As mamães vão gostar de ver suas filhinhas fazendo essa dancinha? Duvideodó, mas tão pagaaano... eu só tô fazendo meu trabalho. Por segurança, vou manter umas polegadas de segurança entre um quadril macho e um quadril fêmea. Dancinha quase casta. Quase, I said. Os capetas não para de falar, eu saio dos ensaios sem condições de chamar "taxi", mas tâmo aí, tirando suco de alface. Apesar de detestar dar aulas, eu sei que levo jeito pra coisa. Os pentelhos me adoram; as menininhas por aqueles motivos de caderninho com cadeado, OK... mas os piás ficam se chegando, querendo ser da galera. Eu que já fui eles, eu sei como é um professor chato. Então eu brigo, mas depois eu faço uma piadinha, eles saem rindo e tá tudo bem. Mas não tenho vocação pra isso; Globo, tô aqui procê viu?

(Tô todo coloquialzinho hoje por quê hein?)

(Tomei bronca do love porque escrevia "ein" ao invés de "hein"... e mesmo achando que a porra do "hein" não precisa de "h", tá aí pra confortar aqueles que realmente se importam com "agás" em "hein´s")

(Tipo quando eu acentuava o "cu", e ele retava. Ô gente, cu é uma palavra que pede acento, pra afirmar a coisa entende? Não... ninguém me entende... vou sugerir isso na próxima reforma ortográfica, já que descobri que ela serve pra mexer em um monte de coisa que não precisa)

Voltando.

Toda essa labuta pra comprar uma sonhada filmadora digital Sony azul coisa-mais-linda-que-faz-zoom-óptico-de-80x-com-estabilizador-de-imagem. Mamãe resolveu me presentear com uma, depositou o dinheiro e tudo, mas esqueceu da mesadinha básica de todo mês. Eu como não estou nem um pouco à vontade com a situação filho-27-anos-dependente-de-mesada nem cobrei; ela, esquecida feito o quê, nem se tocou, apenas disse: mas eu dei o dinheiro pra comprar a câmera! E eu: mas mãe, eu precisei pagar contas... (suspiro)... Ela nem se tocou...

Então tô economizando um bocado esse mês e no outro provavelmente será assim também, pra poder abrir a porta da esperança e não dar de cara com o nada. Economizando no quê mesmo? Ah... baladas...

Mas eu nem sou de balada...

Tô tão velho. Dizem que entrei no inferno astral. Deve ser verdade. Cansado. As aulas tão matando, caminhar todo dia ajuda, e o shot extra de academia tem até surtido efeito, mas CANSA! Vou ali comer um aipim cozido com calabresa e volto.

E não é que esse menino Mraz sabe fazer um som?

Beijotchau.

domingo, 18 de julho de 2010

This is it...

Temporada de chuva em SSA, *eus meu... saí de Curitiba por isso, aqui tem sido pior; coisa de chover por 5 dias sem parar, loucamente, feito uma incontinência urinária gigante... argh...

Ontem finalmente assisti o tal "Michael Jackson´s This Is It", meio-show-meio-documentário sobre o ex-rei-do-pop que voltou a ser considerado pelo seu talento e não mais apontado como astro em meteórica decadência... só porquê morreu... ih, falei. Quando a coisa toda aconteceu, fiquei tocado como todo mundo, mas quando a imprensa começou com aquela hipocrisia toda, e principalmente quando TODO MUNDO resolveu virar fã de Michael Jackson logo me desinteressei e só vi o tal "filme" porque tava passando na Warner. Não suporto ver que só resolvem dar valor à alguém depois da morte. Enfim... o filme é bem chato do ponto de vista dramático, enjoativo quando percebemos que os longos números mostrando MJ ensaiando vão continuar um atrás do outro, e honestamente, pouco impressionante em termos do que julgam a genialidade do astro. Seu minimalismo não me impressiona, uma vez que um artista que passou quase duas décadas tocando a mesma coisa tinha a mínima obrigação de conhecer sua música. Tampouco o show que vinha sendo preparado tinha muito a inovar a não ser pelas imagens 3D (como seria aquilo? óculos para todo o público??), visto que nada mais era que um palco comum com todas as pirotecnias existentes colocadas uma após a outra. Michael e suas músicas eram ótimas, e ele com certeza era um performer incrível, mas sua fase criativa realmente aconteceu na década de 80. O leve respiro no inicio de 90, com a tentativa de tornar a esbranquiçada figura como algo "normal" utilizando o discurso que "Doesn´t matter if you´re black or white" não colou; boa música, discurso pífio. A verdade é que Michael criou um estilo e o que veio depois foi uma variação do mesmo. O show provavelmente seria um sucesso, e provavelmente ele continuaria a lutar para relembrar aos outros que sua criação era mais importante que sua atribulada vida pessoal. O que aconteceu (infelizmente) é que ele não teve tempo.

E estreou nos cinemas o bacanão "À Prova de Morte", filme que Tarantino dirigiu antes de "Bastardos Inglórios" e que tinha uma proposta interessante junto ao amigo Robert Rodriguez de recriar as sessões duplas da década de 30. Fracasso de bilheteria, os filmes chegaram separados aqui: o menos interessante "Planeta Terror" à três anos atrás fracassou nas bilheterias e quase impediu seu "irmão" de chegar as telonas. Assisti pirateado na época do lançamento, e não sei realmente se ele funciona nos cinemas devido ao seu ritmo lento e estrutura anti-convencional, mas com certeza se trata de um dos bons de Tarantino. Diálogos afiados mas que exigem... bem, gosto por diálogos, logo somos presenteados com o melhor do diretor, que sabe surpreender em tempos de tanta monotonia. O filme, apesar de se passar nos dias atuais, se concentra tanto em seu estilo que por vezes pode ser confundido como um exemplar tirado de uma falida locadora de VHS, com direito a película arranhada, "bitucadas" e até mesmo remendos de filme. A figura feminina ganha cada vez mais espaço na linguagem do diretor, que se antes poderia ser visto como um perfeito nerd-machista, aos poucos parece compreender o fascinio que elas causam, num misto de erotismo com idolatração absoluta (a insistência em enquadrar suas divas de baixo para cima é apenas para focar seus glúteos ou seria uma forma de coloca-las em um pedestal?). E no mais, em tempos de CGI e mal uso de computação gráfica, é no mínimo um deleite acompanhar uma cena gigante de perseguição contando apenas com dublês, excelente edição e o frescor de Zoë Bell, dublê de Uma Thurmann em "Kill Bill" que acaba destoando e roubando a cena, simplesmente por ser naturalmente destemida e não uma personagem tão bem construida como as demais. Abuse de pipoca e coca-cola e vai ser uma experiência bem divertida.

Ando muito cinematográfico nesse blog, acho que vou mudar o nome pra "O Cinenauta"...

E o love descobriu um reality chamado "Ru Paul´s Drag Race", uma cópia de "America´s Next Top Model" com drag queens. Sentamos no sofá e só paramos de rir quando acabou o episódio oito. Que mundinho curioso esse...

Vou ali ver em quantas vezes posso parcelar a compra do bote salva vidas e já volto...

sábado, 10 de julho de 2010

Don´t stop...

Incrível como o computador exerce uma força irresistível nas pessoas, feito um imã puxando bolinhas de ferro.

Ah, estamos sem internet em casa, vindo ao sossegado (sic!) Shopping Barra só para poder acessar a internet. O amor de costas não vê o povo que passa e não resiste a espiar o que ele tá vendo.

O que será que ele tá vendo?

@#$%¨&*

A casa chegou a um certo limite de paciência, acho que a coisa só não descambou por falta de solução. Cada vez que a dona do apê sai, o cachorro-gente desaba a latir, como se latir fosse a última coisa que lhe restasse na vida. Não adianta fazer carinho, não adianta gritar; é virar as costas e o cão destrambelha a ladrar. E se ficarem fora o dia todo, é o dia todo que esse bicho late. Cachorro não fica com calos nas cordas vocais não? Pra juntar forças, a vizinha nova chegou com um cachorro-pantufa que desata a chorar cada vez que ela sai. Posso?

Ai junta com o banheiro que vaza água, a pia minúscula, as tomadas que não encaixam, as janelas que não fecham, as luzes que demoram a acender... olha... respira e vai!

@#$%¨&

Vamos falar de coisas boas? Eu bem preocupado com minhas notas do curso de dança, descobri que tô com a bola toda! O "senhor" aqui ainda tem rebolado pra mostrar. Me aguenta...

@#$%¨&*

Saudades de Glee. Ultimamente só tenho visto filme de morte...

@#$$%¨&*

Ficar no shopping, na praça de alimentação e olhando todo mundo comer é tipo um convite a gordice né? Ah! Voltei pra academia! Raspando as últimas moedas do Porquinho pra pagar, mais ainda assim o maior desafio é conseguir malhar ouvindo o CD do Aviões do Forró. Vai malhar em acadmeia de vileiro pra ver se é fácil, vai!

Tchau!

quarta-feira, 30 de junho de 2010

The Human Centipide...

Quem me conhece sabe que eu não resisto a um filme de terror. E comigo não tem tempo ruim; não sou do grupo que defende a velha guarda, que só reclama de Hollywood, etc e tal. Assisto tudo, com a mesma dó e piedade dos psicopatas que geralmente aparecem nos filmes. Mas ao contrário do que a maioria pensa, eu não me divirto e muito menos tenho um prazer mórbido em ver gente morrendo. Eu sofro junto. Quer dizer, quase sempre, porque ultimamente a safra realmente está fraca. A moda agora é explorar o gore ao limite do insano (e que limite será esse?), e com isso, a narrativa, o ritmo, a tensão, as boas interpretações, fatores tão importantes para "segurar" um filme do gênero, são deixadas de lado.

"Jogos Mortais" foi provavelmente o culpado dessa moda macabra. Violento ao ponto de me fazer contorcer na cadeira do cinema, o filme justificava suas cenas com uma premissa simples e bem pensada, aos moldes de um "Seven - Os sete crimes capitais". O serial killer é cruel por uma razão, por mais socialmente inaceitável que essa razão seja. Com orçamento pequeno, o filme se passa quase todo dentro de uma pequena sala, e eu sou fascinado por ideias simples que se desenrolam em pequenos ambientes.

Então veio o descarado do Eli Roth (que se tornou hype (sabe-se lá por quê) depois do bobinho "Cabin Fever") com o seu pornô-de-violência "O Albergue", escancarando tudo aquilo que os pudores cinematográficos evitavam mostrar. De fato, seu filme nada tem de novo uma vez que a violência já era explorada HÁ MUITO TEMPO nos filmes japoneses, só para ter um exemplo. Foi ele o primeiro diretor estadunidense a sacar isso e só.

E agora, suprindo essa onda de "Jogos Mortais" já saturados (o filme já está no quê? sua sétima ou oitava sequência?), surge um novo exemplar do gênero que me prendeu na cadeira antes de começar: "A Centopéia Humana - Primeira Sequência". Se você ainda não leu nada sobre o filme, tem estomago forte, gosta de filmes de terror e ficou curioso, recomendo não ler nada sobre ele e assisti-lo de uma vez, já que o trailer revela demais e as opiniões acerca do filme andam bem infladas.

Segue o link: http://www.baixeturbo.org/2010/05/download-a-centopeia-humana-legendado/

Pois bem. Pensa ai. Um médico muito doidão (nazi-style) especialista em separar irmãos siamêses é obcecado em criar a centopéia humana do título: ligar 3 pessoas em fila pelo sistema gástrico. Não entendeu? Pegar uma pessoa, botar de quatro e cortar o cu; pegar outra pessoa (também de quatro) e costurar a boca no cu da primeira. Cortar o cu do pobre segundo elemento e ligar à boca de um indigno terceiro elemento. O primeiro desafortunado come normalmente, e quando cagar, o segundo é obrigado a comer, já que está colado. Já o amaldiçoado terceiro elemento, se sentir fome, coitado... tem que esperar que o segundo elemento cague as fezes do primeiro.

A coisa toda é tão, mas tão absurda que eu tive que ver, nessa curiosidade mórbida que nos cerca quando vemos um acidente de carro e viramos o pescoço para olhar, sabe como?

Infelizmente (ou felizmente, sei lá) o filme em sí só se segura pela premissa assustadora. Oras, meu medo maior não é morrer, mas sim ficar a mercê de algo tão insuportávelmente macabro sem poder fazer muito a respeito. Os fãs de violência não verão muito (eu disse muito, viu?), já que nesse sentido, o filme é até bem comportado. O que realmente é uma pena é que, apesar de audacioso em realizar um projeto assim, o diretor Tom Six (quem?) não vai além, entregando um filme prosáico (??), de direção careta e sem ousar em nenhum momento das longas 1h e 30 mins de filme.

As duas mocinhas além de ruins pouco podem fazer depois de terem a cara enfiada em rabos alheios, a cabeça da centopéia é irritante (e oras, deveria ter posto um judeu na frente de uma vez, já que é pra esculhambar), e o psicopata-mor interpetado por Dieter Laser está longe de ser um exemplo de boa personagem. Alguns criticos elogiaram, outros desavisados compararam ao Hannibal Lecter do Antony Hopkins, eu achei apenas teatralmente divertido...

O grande problema é o roteiro, que retrata todos os presentes como burros, seja do lado de lá como do lado de cá da tela. Mocinhas de filme de terror são burras por natureza, OK, mas quando o vilão mal se preocupa em disfarçar sua demência na frente de 2 policiais, só podemos concluir que se tratam... olha! De 2 burros também! Sem parecer ter muita noção de ritmo, o filme as vezes ensaia algo de bom, como a cena em que uma das burrinhas... que dizer... mocinhas tenta fugir e a cena se estende de forma interessante (apesar de concluir de forma decepcionante), na maioria das vezes as cenas parecem não fluir de forma natural, como por exemplo a cena-central da operação, que acaba tão rápido que pensei se tratar de um aquecimento. No final, o filme faz apenas aquilo que prometia, sem arroubos e surpresas.

E lá vem uma sequência, ÓOOOOOBVIO! Ao que tudo indica, a "Primeira sequêcia" na verdade um estudo para a "Sequência completa", uma centopéia com DOZE pessoas...

Com isso, chego ao ponto que me levou a escrever tudo isso, que não era escrever uma crítica ao filme, mas sim em me ver fascinado pela mente humana. COMO PODE ALGUÉM IMAGINAR ISSO? Eu me admiro com gente assim, que tem uma ideia que eu não seria capaz de ter. Quando vejo algo assim, tenho vontade de conhecer essa pessoa, ouvir o que ela tem pra dizer, entender esses mecanismos criativos geradores de algo relevante, algo pulsante, algo criativo. É grotesco, talvez seja oportunista, pode ser apenas mais um tentando sobresair no meio de tantos, mas não dá pra ignorar o fato de que o filme mexe com você, mesmo que seja a repulsa e você NUNCA o assista na sua vida.

Em um período de pouca criatividade do gênero, onde os remakes pipocam mais do que as produções originais, a tal centopéia humana ao menos arrisca dar um passo (ou seria um três-em-um passo? Hihi...) para uma direção que não seja para trás.

terça-feira, 29 de junho de 2010

How do you expected me...

Eita que as férias vem chegando ao fim e não deu tempo nem de blogar...

Mentiras a parte, tempo a gente sempre arruma, faltou é inspiração mesmo. Dizem que a escrita é um exercício que deve ser praticado todo dia, e eu bem fiz, mas ao invez de caçar assunto pra estar aqui, resolvi mergulhar de cabeça na ideia de me tornar o mais novo excritor de textos... ahn... teatrais, contos, livros... whatever o que sair disso.

Pensa em linhas e mais linhas de ideias geniais e outras nem tanto assim?

São João aqui por essas bandas é uma coisa encantadora. Além da ótima desculpa pra se comemorar o aniversário do love, é uma data comemorada de verdade. Lá no sul só me lembro do São João nas festinhas do colégio, onde eu era o primeiro a me oferecer pra dançar a quadrilha, e também o primeiro da fila pois sempre fui o menorzinho. Estrela mirim. Fomos para Rio de Contas, cidadezinha simpática à 12h de Salvador. Viagem do cão, chegada recompensadora. Infelizmente fomos com a cabeça em projetos mil, e acabamos voltando antes que eu pudesse subir uns morros e acampar no mato. Deu pra fazer trilha e tomar banho de cachoeira.

No mais, escrevendo e esperando, escrevendo e esperando. Muitos projetos, muitas esperanças. Pela última, a gente não paga e então eu abuso.

Falando em não pagar, e Zé Celso? Bleeeergh:P (tipo um pré-gorfo com direito a linguinha pra fora...)

sexta-feira, 4 de junho de 2010

If I could do just one near perfect thing I´d be happy...

Férias chegando! Nem acredito... mas dizem que ator não tira férias, e é quase verdade. Vai ser bom pegar alguns dias pra dormir até mais tarde, essa mratona de curso técnico foi de doer (literalmente).

Vamos falar de filmes. Tenho visto muitas coisas, algumas que valem comentar, outras nem tanto.

"O Segredo Dos Seus Olhos" do diretor argentino Ruan José Campanella já pode ficar entre os meus favoritos de 2010 (e olha que só estamos terminando o primeiro semestre). Sua parceria com o ator Ricardo Darin se assemelha a de Burton + Depp, com a diferença que os dois primeiros até agora não erraram, bastando conferir "O Filho da Noiva" e "Clube da Lua" (ainda não vi "O Mesmo Amor, A Mesma Chuva"). Direção discreta, que quando se permite um grande arroubo é através de um plano sequência inacreditável (contando com cortes em sua edição) que só contribui para trama... ai cansei... perfeito, recomendadíssimo. Soledad Villamil deveria ganhar um prémio de melhor atriz. Prontofalei.

Assisti "Sex And The City 2", mesmo sem ter visto o primeiro e não ter acompanhado a série. Não dá pra chamar de um filme, está mais para um evento. Obviamente aquelas quatro amigas se tornaram um pequeno ícone de uma geração, e o filme nada mais faz do que dar espaço para que esse ícone seja utilizado a exaustão. Excessivamente longo, o grande problema do filme é que se trata de uma grande montagem de gags, visto que uma piada é imediatamente abandonada em prol de outra, sem nunca interferir de forma significativa na história. Sarah Jessica Parker está Far Far Away de ser uma beldade (brincadeirinha com "Shrek", sacou? sacou?), e os excessos de takes insistindo em mostrá-la como tal soam demasiadamente deslocadas (e, MEU DEUS como ela está magra). A direção não parece saber "vender" suas locações visto que os quadros nunca valorizam o espaço com takes muito fechados e pouco elegantes; e oras, estamos falando de um filme que se pretende basicamente a isso, numa espécie de James-Bond-vai-as-compras. Os figurinos muitas vezes chegam ao absurdo, como quando a protagonista vai de saia de debutante e camiseta estampada J´adore Dior em uma feira (Oh... eu uso Dior portanto posso andar pelas ruas parcendo uma louca) e a roupa de paquita-assassina de Samantha em um karaokê. A cena em questão permeia o filme como um todo: um feminismo exagerado, uma espécie de vingança contra o masculino que se resume a serviçais, homens-objetos e homens-bunda. Filme espertinho de uma série espertinha, que soube captar como ninguém os desejos femininos e elevá-los a décima potência, e utilizar de mulheres bonitas mas não perfeitas para que não se distanciassem tanto de uma mulher de carne-e-osso. Qual mulher secretamente não sonha em chamar a atenção com suas roupas e nunca se incomodar com isso?

Por fim, "Quincas Berro D´Água", que se assemelha de uma forma bem estranha ao filme Hollywoodiano das amigas chiques: consegue fazer rir, consegue ser mais longo que os glúteos gostariam e consegue ser facilmente esquecido ao fim da sessão. Contando com um bom elenco que tira... ahn... água... de pedra de um roteiro abarrotado de tipos (mas nunca personagens) lineares, por mais que eu me esforce, não consigo evitar de repetir o discurso: já não chega dessa estética do sujo? Quando é que o cinema brasileiro vai começar a arriscar outras abordagens? Sim, existem nessa remessa alguns filhos bastardos como "Se Eu Fosse Você" e "Chico Xavier" e... é... enfim... mas o que realmente parece segurar a produção brasileira é o fato de um filme ser tão dificil de ser produzido e o risco de ele não ser vendável impede produções mais ousadas. Ou será simplesmente por não contarmos com bons roteiristas? Ou culturalmente não temos espaço para outro tipo de produção? Sei lá...

No mais, comemoro a chegada da TV a cabo obviamente me viciando em "Glee", visto que um seriado-musical-com-musicas-pop é a minha cara. E é?